Uso óculos desde os 6 anos, tendo desde sempre miopia e estigmatismo com elevado grau.
Até ao inicio da idade adulta a graduação foi aumentando mas tem-se mantido com pequenas alterações desde aí. Usei óculos a maior parte da minha vida, tendo durante uma época usado lentes de contacto. Mas abandonei as lentes de contacto, pois as mais adequadas para o meu caso, são desconfortáveis. Usar óculos nunca foi na verdade um grande problema.
Por volta dos 30 anos começaram a surgir alguns problemas internos relacionados com a retina. Algo frequente em casos como o meu. A qualidade de visão degradou-se ao longo do tempo e já não é a mesma comparando com o que tinha, por exemplo aos 25 anos mesmo tendo grau semelhante. Tenho agora entre 16 a 19 dioptrias (OE e OD). A diminuição de qualidade de visão, traduz-se em sintomas, como: sensação de presença de manchas na visão, intolerância a alguns tipos de iluminação sobretudo durante longos períodos, intolerância a telas de computador CRT (ainda bem que os TFT se vulgarizaram na hora certa!), necessidade de redobrada atenção na condução de viaturas à noite quando chove (os reflexos/brilhos da água à noite dificultam), sensibilidade a mudanças bruscas de luz, maior cansaço visual. Daqui resultam limitações várias que também condicionam a capacidade de trabalho.
Como disse, usar óculos nunca foi um problema. Problema no sentido de estorvo, peso, grande limitação para o dia-a-dia, estética. Nunca liguei muito a isso, provavelmente porque sempre vivi assim e assim me aceitei e me limitei. Mas percebi que a qualidade de visão que posso obter com outros meios de correção é superior. Como exemplo, cito o seguinte: se usar lentes de contacto (do tipo descartável) com graduação inferior ao que necessito (e porque não há lentes deste tipo com graduação maior e adequadas ao meu caso), tenho dificuldades para ler e mesmo executar várias tarefas, mas percepciono o meio envolvente de um modo qualitativamente melhor. A melhor descrição que posso usar, é: parece tudo maior ou mais perto. Na verdade o que poderá estar a acontecer, é que os óculos graduados tornam tudo mas pequeno.
Ao longo dos anos tem surgido e evoluído várias técnicas cirúrgicas para correção de miopia, técnicas essas sobre as quais vou obtendo informação e esclarecimento. Uma técnica que surgiu em 1990, é o Lasik que consiste na remodelação da córnea utilizando laser. O Lasik é adequado para baixas miopias, creio que até grau 5 ou 6 e portanto para o meu caso não é o recomendado. Além disso, são conhecidos casos de operados com Lasik que ficaram com algumas complicações pós operatório. Esta semana soube mesmo da existência de um estudo feito sobre este assunto. Irei tentar saber mais sobre isto...
O maior problema da intervenção Lasik, é mesmo não ser reversível. Se algo correr mal, se o paciente ficar com manchas ou sombras, o material retirado da córnea, não pode ser reposto. Possivelmente uma grande parte dos afectados por problemas com esta intervenção, serão pacientes que estão no limite de grau recomendo ou mesmo com grau superior. Descobri que há quem opere acima dos valores de segurança, basta que o paciente possa pagar a intervenção.
No ano de 2009 numa consulta com o oftalmologista pedi um panorama geral sobre as técnicas cirúrgicas e o seu estado de evolução e adequação. O oftalmologista falou-me do implante intra-ocular e da maturidade que a técnica já tem entre os oftalmologistas. Mais ainda ser o procedimento eleito para o meu caso e, muito importante, ser reversível.
A partir dessa altura, passei a considerar seriamente esta possibilidade de intervenção. As técnicas tinham evoluído e o implante era a técnica mais adequada ao meu caso. A reversibilidade da intervenção reduz o risco de problemas pós operatório e a possibilidade de melhorar a minha qualidade de visão tentando com isso compensar as perdas de qualidade resultantes de evoluções negativas do estado no interior do olho (sobretudo no olho esquerdo), são os maiores atrativos para avançar.
Comuniquei esta situação à minha médica que tratou de reencaminhar o meu caso para a oftalmologia do Hospital de S. Marcos em Braga. Isto aconteceu por volta de setembro ou outubro de 2009. A minha expectativa, era de esperar um ano pela consulta no Hospital de S Marcos, na sequência desta, fazer vários exames, acompanhamento durante algum tempo (mais um ano) para verificar a estabilidade da miopia e caso fosse viável, esperar ainda mais um ano na fila de espera para ser operado.
No entanto, o que aconteceu acabou por ser um pouco diferente. Em julho de 2010 recebi uma convocatória para consulta no serviço de oftalmologia do S. Marcos para o mês seguinte, agosto. Nada mau, começou o percurso, pensei. A partir daqui assumi que iria passar por um processo de avaliação que poderia concluir-se provavelmente em intervenção cirúrgica, quem sabe, um ou dois anos depois.
Assim, em agosto apresentei-me para a consulta e de imediato percebi que tinha todas as condições para ser operado e que isso seria... no final de setembro do mesmo ano! Penso que para esta velocidade de marcação de cirurgia, terá contribuído a imediata avaliação do meu caso auxiliada com o fato de levar comigo um histórico de prescrições de óculos com as respectivas graduações – e assim possivelmente se ter concluído sobre a estabilidade da visão. Após uma exame para verificar o espaço interno no olho onde será colocado o implante (medido 2,86 – mínimo necessário 2,80) e ainda de uma observação interna (Angiografia ocular, que poderia ser sucedida por reparação de problemas na retina por laser, o que acabou por se verificar não ser necessário).Ficou tudo confirmado e lá vou eu fazer implante de lentes. Um olho de cada vez, o primeiro no final de setembro e o outro na primeira semana de outubro.
Mas que intervenção vou efectuar? Na verdade poderá dizer-se simplisticamente que vou deixar de usar óculos na cara e vou os colocar dentro dos olhos. Ou seja, será feito em ambos os olhos um implante de lente. O implante tem grandes garantias de sucesso para situações de miopia elevada como a que tenho, e a maior vantagem na minha opinião, é ser uma intervenção reversível. O interesse desta reversibilidade, é poder retomar à situação anterior caso algo corra mal ou trocar de método de correção caso surjam novas técnicas no futuro. A (imensa) confiança demonstrada pelo médico que me irá operar, ajudou-me a aderir e a acreditar no sucesso. Como desvantagens, uma improvável rejeição, o risco de mau posicionamento (mas que parece ser fácil de corrigir), dificuldade com visão perto ou longe (que não foi considerada como provável pelo médico) e a alguma incerteza sobre o meu processo de adaptação à nova visão bem como duvidas sobre como vou ou não sentir os problemas internos que presentemente sinto e que são excessivamente limitadores. Ainda, sómente a miopia é corrigida, o estigmatismo continua e será necessário usar óculos (ou não!) para corrigir estigmatismo e algum residual de miopia. De sublinhar, que a operação não corrige os problemas de morfologia do olho nem as problemáticas internas da retina. Aí fica tudo na mesma, ou seja, continua mal e a precisar de acompanhamento regular.
Após esta intervenção, terei de ser acompanhado anualmente para despistagem de possíveis problemas. Este aspeto acrescenta mais confiança para avançar.
Mas para compreender melhor como esta intervenção cirúrgica é feita, nada como observar em vídeo aquilo que me espera. O vídeo pode ser perturbadores para pessoas com alguma sensibilidade.
Serão aplicadas lentes Acrysof cachet que são inseridas com uma espécie de injector. A incisão é mínima e não requer sutura.
Parece simples, não?
Irei publicar aqui a evolução e os resultados logo após as intervenções.
Participe e comente.
Algumas notas sobre este texto:
- O texto pode conter impressões técnicas. Aceito fundamentadas sugestões de correção.
- Se pensa fazer algum tipo de correção de miopia com recurso a cirurgia, não o faça precipitadamente. Avalie os prós e contras. E tenha cuidado com a caça ao dinheiro que por vezes possa ser encontrado nesta atividade. Lembrando-me de um caso que ficou conhecido de uma clinica no Algarve.
Alterações:
- Retirada referência a um tipo de intervençao no OD diferente da indicada no video
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